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quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
Desabafo no dia que não existe
Este dia tão especial... Que só existe de quatro em quatro anos... Porque ninguém conseguiu exatamente definir uma contagem de tempo perfeita. Porque talvez o perfeito não exista. Não sei. Mas sei que já passei por oito desses dias e me lembro perfeitamente de um deles, há exatos oito anos.
E como não poderia deixar de ser, começo este dia com o pensamento nele. E em como tudo era muito diferente há oito anos. Não quero ser pessimista, nem nostálgica, mas tenho certeza que quem já viveu em Paris e agora a tem assim tão longe, vai entender.
Mas não é só isso. A vida também mudou. Parece que naquele dia tudo era muito mais emocionante. Talvez minha memória me traia - o que eu acho pouco provável, porque sou capaz de repassar e recontar cada minuto daquele dia - mas a verdade é que hoje, as coisas não são mais tão legais. Ela são um dia depois do outro, depois do outro. E eu estou em São Paulo. Como se estivesse engessada, doente, presa. E há oito anos, não poderia imaginar que tudo o que aconteceu me colocou aqui. Minhas decisões, minhas indecisões, meus questionamentos...
Já estou resignada, já entendi que as borboletas não ficam batendo as asas no nosso estômago por muito tempo, nem com muita frequência. Mas, honestamente, eu preferia estar começando aquele dia de novo a estar aqui agora.
Quem sabe hoje ainda vai me surpreender? Ainda é 1h30...
24 hours later...
O dia acabou, já é 1h30 (do dia seguinte) e, just as I suspected, nada mudou. Só trabalho, trabalho, trabalho...
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
The World I Know By Night Part II
Ilha Grande, Brasil
Ephesus, Turkey
Cartagena de Indias, Colombia
Salvador, Brasil
Dydim, Turkey
Rovinj, Croatia
Rio de Janeiro, Brasil
Bogota, Colombia
Paris, FranceFor The World I Know By Night Part I, click here
sexta-feira, 26 de setembro de 2008
Danger and Annoyances
Muito se engana quem pensa que existe lugar seguro no mundo. Mas é claro que alguns lugares são mais tranquilos que os outros e outros lugares a segurança é diretamente relacionada com a maneira com que você se veste, sexo, raça ou religião.
Infelizmente, a violência se utiliza das diferenças sociais, culturais e físicas para determinar suas vítimas.
E a verdade é que somos todos potenciais vítimas. Basta estarmos na hora errada e no lugar errado.
Não importa se a criminalidade é alta. Os números são secundários, Se você estiver num lugar desconhecido, obviamente não saberá qual é, estatisticamente falando, o risco que você está correndo.
Na minha experiência, posso dizer que só fui vítima em quatro cidades do mundo. São Paulo, Paris, Amsterdam e Milão.
Em São Paulo, sofri por estacionar o carro na hora errada e no lugar errado. Em Milão, porque sou mulher, em Paris por eu não ser muçulmana e em Amsterdam, porque sou Brasileira. O que não significa que em outras condições, nos mesmos lugares, outras pessoas diferentes não poderiam ter sido escolhidas.
Em compensação, fui para a Colômbia, assim como muitos outros viajantes, peguei ônibus noturnos para ir de uma cidade a outra e nada aconteceu. Na Turquia, por exemplo, ser turista não é a coisa mais perigosa do mundo. Aliás, é muito mais perigoso ser turco mesmo.
E é assim que bem ou mal, as pessoas acabam se privando de descobrir coisas novas e explorar lugares maravilhosos, tudo por culpa do medo, que nem sempre é bem fundamentado. Só tem que tomar cuidado e ficar atento. Sempre.
sexta-feira, 8 de agosto de 2008
Férias!!!
Quem não gosta de férias?
É tão bom poder descansar, ir para onde quiser (ou onde o dinheiro e o tempo permitirem)...
Não ter nenhuma responsabilidade a não ser consigo mesmo.
Este mês de agosto é o mês de férias coletivas na Europa. Nada abre, nada funciona.
Todo mundo pega suas coisinhas e corre ou para em direção ao mar, para aproveitar o sol e o calor ou sobe as montanhas para fugir um pouco do calor insuportável.
Já passei alguns meses de agosto por lá e devo dizer que por qualquer razão que seja, alguma coisa acontece com as pessoas porque elas ficam muito diferentes.
Ficam abertas, simpáticas, querem falar com todo mundo, sair.
Os parques ficam cheios de gente.
Os turistas lotam as cidades - nem pensar em tentar subir a Torre Eiffel ou entrar no Louvre, mas os espaços não turísticos ficam maravilhosos de andar. Você consegue tirar fotos de tudo, sem ninguém para atrapalhar.
Outra coisa que não tem preço é passar pela Rue Saint-Louis-en-l'Ile, ver o mundo se acotovelando para conseguir algum da meia duzia de sabores do sorvete da Maison Berthillon que sobraram, enquanto você conhece aquele lugarzinho uma na ruazinha transversal que não tem fila nenhuma e têm todos os sabores lhe esperando todos os dias.
domingo, 22 de junho de 2008
quinta-feira, 19 de junho de 2008
La même histoire
Sabe aqueles lugares que você chega e mesmo depois de muito tempo eles continuam sendo como a sua casa?
Para mim, Paris é assim.
Faz dois dias que estou em Paris e tudo já está no devido lugar. Meus amigos, meus lugares...
Como é possível? Anos se passam, as coisas mudam, mas mesmo assim eu continuo com a sensação de estar em casa. Eu sei que o Coolin está ali, sempre me esperando, na Rue Clement, no Marché Saint-Germain. E que por mais que as pessoas que trabalham lá mudem a cada vez que eu volto, continuam sempre no mesmo clima.É um lugar onde você pode ir sozinho ou acompanhado, sentar numa mesa e tomar uma coca-cola, uma Guinness ou um whisky, comer um Chicken Pesto (que é meu prato favorito, apesar de eu não gostar muito de frango) e logo acaba conhecendo as pessoas das mesas ao lado.
Hoje, eu passei o dia todo lá. Sentadinha, numa mesinha no terraço, com meu copinho, conhecendo gente, batendo papo. Até que me dei conta que já eram 23h e eu tinha que correr para terminar meu drink e não perder o último metrô.
domingo, 2 de março de 2008
O melhor domingo
Domingo é um dia horrível, muito próximo à segunda-feira. Todo mundo já está de mau-humor, a semana vai começar e ninguém está com pique de nada.
Parece que o dia vai se arrastando. A ressaca do dia anterior não deixa o corpo em paz. A televisão é programada para transmitir as piores emissões já realizadas.
Mas se em geral, domingos são sempre os ruins, houve um domingo que me surpreendeu.
Um 29 de fevereiro, quatro anos atras. Um domingo que começou com sol, em Paris, no inverno.
Um domingo para aproveitar as ruas e os parques. Para desfilar com os casacos mais quentinhos e tomar uma taça de vinho tinto em boa companhia.
Um domingo para ultrapassar limites e vencer medos. Para conhecer e conversar; realizar o sonho e sonhar acordado. Para encontrar tudo aquilo que era esperado.
Para voltar a ser adolescente e viver sem conseqüências, mesmo que apenas enquanto durasse o dia. Un long dimanche de fiançailles.
E nem antes, nem depois existiu ou existirá um domingo como esse.
sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008
The biggest day that does not exist
Depois de quatro anos, finalmente é o dia que não existe. 29 de fevereiro, dia que nada mais é do que a junção das seis horas que sobraram de cada um dos últimos quatro anos e acabaram se transformando em um dia para colocar as coisas em ordem.
Mas a última vez que este dia aconteceu, nada na minha vida foi colocado em ordem. Muito pelo contrário.
O dia começou numa balada doida na République, continuou com um sms straight to the point e se estendeu por mais dois dias.
Nesse dia, que não existe e que durou mais ou menos 72 horas, give or take conheci um outro lado de Paris. Fui a lugares que nunca havia conhecido e outros, por onde já havia passado, tomaram uma outra cor, tinham outro cheiro.
O Bois de Boulogne, por exemplo, assim, no fim do inverno, não tinha nada verde. Estava com árvores sem folhas, com pouco movimento, mas num banquinho pelo caminho ainda era possível se aquecer com o último raio de sol do dia. Um dos primeiros dias com sol daquele inverno.
Já a Rue Oberkampf estava clara enquanto a noite caia, por conta dos luminosos dos bares e restaurantes. Mas o canto do Mecano, perto do vidro, mas ainda assim, ligeiramente privet estava escuro o suficiente para esconder o que não deveria ser mostrado.
E de lá, a linha dois e a linha seis do metrô foram testemunhas.
La Seine também poderia contar as novidades assim como o meu jardim preferido: o Luxembourg, o cinema do Odéon, a Torre Eiffel, a Place de Clichy, o Moulin Rouge, a Avenue des Champs Elisées, Montmartre...
Descobri que é possível voltar no tempo, sentir coisas que às vezes estão esquecidas tão longe. Mas que podem ser boas. E podem ser ruins.
Com o tempo, o dia acabou, mas ainda existe a cada quatro anos. Depois disso, Paris se tornou uma aliada, que escondia os amores proibidos. It was so much fun! I miss that!
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008
Porque alguns dias se tornam mais importantes do que outros
Onde você estava em 27 de fevereiro de 1978? E 1988? Se lembra de 1998? Eu não tenho memória de nenhum deles. Mas lemmbro muito bem de tudo o que aconteceu neste dia em 2004.
Lembro que quando este dia começou, eu estava no O´Neil, na Rue de Canettes, em Paris, sentada no balcão, com dois holandeses, comemorando o aniversário de um deles.
Bebemos até o bar fechar e fomos cada um para sua casa, mas eu e o aniversariante já não queríamos nos deixar mais
Parting is such sweet sorrow that I shall say good night till it be morrow
SCENE II - Capulet's orchard, Romeo and Juliet by William Shakespeare
Algumas horas de sono foram atrapalhadas por um livro esquecido, de onde a liçao de casa de francês do último dia de aula deveria ser feita. Boa desculpa para um encontro algumas horas mais cedo.
Aproveitamos para aprender, na aula, o Parabéns a você em francês. O nosso tradicional vinho do happy hour não pode faltar. Mas como o dia era especial, saímos todos para dançar mais tarde.
And butterflies took over my stomack . And not only mine!
Este foi o pricípio de tudo. O príncipio da ascensão e da queda. Inesquecível.
Hoje de manhã, quando acordei, não sabia mais que dia era hoje. De repente, num estalo, a memória voltou.
Acho que é a primeira vez desde então que eu passo este dia longe de casa de novo. Talvez seja isso. Ou talvez seja uma boa memória para curar todos os males que 2008 reservou para mim. Sei lá.
C´est une partie de l´histoire de ma vie.
terça-feira, 6 de novembro de 2007
The World I Know By Night Part I
São Paulo, Brasil
Barcelona, EspañaFor The World I Know By Night Part II, click here
domingo, 28 de outubro de 2007
Viagens pela sétima arte
Na onda da 31a Mostra Internacional de São Paulo, vou falar de uma das minhas grandes paixões: o cinema. Já mencionei antes que gosto mesmo de viajar com tempo para conhecer os lugares com calma. Assim, tive muito tempo de ir ao cinema e alugar filmes e comprar DVDs para assistir durante meu tempo fora.
E alguns filmes, é claro, marcaram as minhas viagens. Talvez não sejam as melhores lembranças, mas voilà.
Eternal sunshine of the spotless mind eu deveria ter visto na Holanda, mas como era com o Jim Carey, achei que não tinha nada a ver ir assistir na última sexta-feira que eu tinha junto com meu namorado. Ledo engano. Deveria ter ido com ele. Quando cheguei a Paris, uns amigos me convidaram para assistir. Não conseguia parar de chorar. Tive que ir ao cinema assisti-lo de novo depois. Porque o filme é maravilhoso.
Outro filme que vi várias vezes no cinema foi Love, Actually. Em Milão, rodei a cidade atrás dos cinemas e dias em que o filme estava em cartaz em língua original. A grande vantagem desses filmes em língua original é que eles não fazem a paradinha "banheiro-cigarro-refil de pipoca" bem no meio do filme. Nos filmes dublados em italiano, sempre tem a pausa.
Falando nisso, Spiderman foi o primeiro filme que assisti em versão italiana. L'uomo ragno. A pausa no meio da apresentação, para mim, foi muito engraçada.
Em casa, assisti dois filmes em DVD: Le fabuleux destin d'Amelie Poulin e Apocalypse now redux, ambos com legenda em italiano. Do primeiro, acabei fazendo sessões na minha casa de Paris, no ano seguinte, depois de fazer o roteiro Amelie por Montmartre - e descobri que eu já tinha sido vizinha dela! O segundo é, sem dúvida, um dos melhores filmes ever made.
A minha vida em Milão foi muito parecida com L'auberge espagnole, filme que vi em italiano com a minha coinquilina alemã. Tínhamos na parede da cozinha um papel como no filme, por causa do filme, em várias línguas com a frase: "Fulano não está. Poderia ligar mais tarde, por favor?" Tínhamos em inglês, italiano, português, alemão, polonês, francês, suéco, basco, espanhol e argentino (que era bem diferente de espanhol).
Lembro de ter assistido Catch me if you can no dia do meu aniversário. Sorte ter caído numa segunda-feira, que era o dia da língua original no cinema do Duomo.
Outro filme que marcou minhas viagens foi Abril Despedaçado, que eu vi em Paris, na páscoa, com uma amiga. Lembro exatamente de nós duas saíndo do cinema no Odeon. "Este filme é maravilhoso!"
Along came Polly é outro filme que eu assisti duas vezes, mas a segunda foi com o meu namorado na época e um amigo dele que não podia saber que estávamos juntos. O escurinho do cinema, o proibido, a mão que encosta na outra sem querer. É divertidíssimo. Aconselho a experiência!
Os Godfather me foram apresentados também em Paris, em sequência. Um dia todo para ver um seguido do outro.
Na Florida, nos dias de muito calor, em que eu tinha preguiça de fazer qualquer coisa, a não ser ficar em casa no ar condicionado, dois filmes me surpreenderam: A love song for Bobby Long, um filme independente, com John Travolta e Scarlet Johanson e o pitel do Gabriel Macht e Before sunset, que é a segunda parte do Before Sunrise e se passa em Paris! Too many mamories!
New York. Quantos filmes já foram gravados alí? Eu e minha flatmate fizemos o roteiro do You've got mail, depois, é claro de assistir ao filme umas mil vezes. Pegamos o Ferry para Staten Island por causa do How to lose a guy in ten days.
E é assim que os filmes acabam fazendo parte da vida.
sexta-feira, 26 de outubro de 2007
In Vino Veritas
Uma das melhores coisas para se fazer em Paris é tomar vinho nos parques, jardins, pontes, ilhas e à beira do Sena. Por si só, a cidade já é linda, mas certamente o vinho a transforma no lugar mais espetacular do mundo.
E é assim, num fim de tarde, logo após o almoço, depois do jantar sempre existe alguém fazendo um picnic. Às vezes tem também alguma coisinha para beliscar, uns salgadinhos. Mas em geral, o vinho já é o companheiro perfeito. Inclusive, lembrei de uma frase no blog Aguce, de uma amiga.
Mas voltando à França, estamos falando de vinho nacional comprado em qualquer mercadinho por uma merreca, mas bom, sem deixar com dor de cabeça ou ressaca no dia seguinte. Meu preferido é sempre o Bordeaux, o mais seco possível, não importa a temperatura ou o acompanhamento.
Então, decidi fazer o top ten de lugares e horários para tomar vinho em Paris, caso alguém precise de umas dicas. Mas não pense que você será o único a tomar vinho por esses lugares nesses horários. A vantagem é que quando você esquece seu saca-rolhas, sempre tem alguém na área para ajudar, s'il te plaît! Aí vai a lista:
10 - Bois de Boulogne, na hora do almoço
09 - Buttes Chaumont, no final da tarde
08 - Bois de Vincennes, aos domingos, quando tem shows de jazz
07 - Place des Vosges, a tarde
06 - Jardin du Luxembourg, enquanto brilhar o sol
05 - Pont des Arts, no começo da noite
04 - Square du Vert-Galant, anoitecendo
03 - Quai da Île Saint Louis, a qualquer hora
02 - Escadarias de Montmartre, de madrugada
01 - Champs de Mars , durante todo o dia, mas especialmente à noite, com a Torre Eiffel brilhando de hora em hora.
quarta-feira, 24 de outubro de 2007
Fristaden Christiania
A estátua da Pequena Sereia da história de Hans Christian Andersen no Øresund, que por sinal, de vez em sempre não está por lá, porque é constantemente vandalizada. Inclusive quando eu fui, a haviam explodido da pedra e de acordo com o marinheiro do barco que peguei, os salva-vidas estavam tentando resgatá-la do fundo do mar.
O clima monárquico é envolvente. Tudo é tão lindo! As pessoas são simpáticas. Des bonnes memoires!
Fiquei na casa de um amigo quando fui para lá, ele e os amigos fizeram um prato típico dinamarquês para mim.
Depois a mãe dele me convidou para jantar na casa dela um outro dia. Também fez questão de me levar para passear na cidade enquanto meu amigo trabalhava. (Nos encontramos de novo em Paris no ano passado.)
Fomos para o centro de Copenhagen na parte da tarde e caminhando acabamos chegando num lugar com uma entrada e a seguinte frase:
You're leaving the European Community and entering the free state of Chistiania.
Que lugar era aquele? Um estado livre, no meio de uma cidade? Que loucura!
A Cidade Livre de Christiania é uma comunidade independente e autogestora, semi-legal criada em 1971, por hippies, anarquistas, artistas e músicos em Copenhagen.
fonte: Wikipedia
Entrei no lugar, com a mãe do meu amigo, e começamos a passear, olhar os lugares, restaurantes, fomos tomar um café, comemos nozes carameladas, e passeamos pela feirinha hippie, onde além de havaianas caríssimas vendidas por um português, também oferecia maconha de todas as partes do planeta. De todas as cores, cheiros e formas. E acessórios para a utilização de qualquer outro narcótico. É impressionante!
Amo Amsterdam, mas nada se compara a Christiania. E olha que eu nem uso nada, então, pra mim, isso não vale nada. É a liberdade que me chama. Não quero fazer, quero saber que eu posso fazer.
A mãe do meu amigo me perguntou se fiquei impressionada de ver tantas drogas, assim à disposição, mas a única coisa que pensei naquele momento foi que lá não existia tráfico. Fantástico!
Já se vão alguns anos que eu fui parar lá e nesse meio tempo já reencontrei meu amigo e conheci outros dinamarqueses. As notícias que tenho de Christiania é que o lugar está sendo controlado, porque a violência aumentou e o ideal do lugar tem diminuido. Isso me entristece muito, mas c'est la vie! Se alguém tiver notícias de lá, por favor, informações são bem vindas!
quarta-feira, 10 de outubro de 2007
Open You Mind
Ser turista ou morar em outro país não é a mesma coisa que mudar de casa. É também se adaptar à cultura, vivenciar o novo, ver outras formas de fazer as mesmas coisas ou mesmo aprender novos hábitos.
Infelizmente, nem todos os aliens conseguem entrar neste nível de absorção da realidade que os envolve. E é aí que eu me pergunto: Pra que ir tão longe?
Uma vez, em Paris, no Quai andando em direção à Torre Eiffel, ouvimos o comentário mais estúpido possível:
"It´s so big! I never thought they could do something so huge!", uma das meninas de grupo de turistas americanas que caminhava logo em frente espantou-se. Eu e meu namorado na época queríamos nos atirar dentro do rio Sena. Só os americanos sabem fazer grandes coisas? Que vergonha ser turista naquele momento.
Depois, em Londres, enquanto tentava chegar no British Museum, sentada num daqueles ônibus vermelhinhos, me deparei com uma casal que perguntava ao motorista:
"Is this bus going to the British Museum?"
O problema nem foi só a pergunta em si, mas também a altura exagerada e a velocidade reduzida com que a mulher a fez. O marido disse baixinho à esposa:
"Darling, this bus IS going there, it´s written on top of the bus"
Mas ela continuava gritando, como se o motorista não entendesse inglês, afinal de contas, estávamos na Inglaterra e o fato de estar escrito no ônibus que um das paradas era o Museu, aparentemente não significava nada para ela.
Os americanos têm a fama de achar que todos os lugares tem que ser como os Estados Unidos e, ao mesmo tempo, subestimam os outros países.
Vale lembrar que eles não são os únicos. Os brasileiros que vão para os EUA tentar a vida jamais se deixam levar pela cultura americana. Muito pelo contrário. Ganham em dólar, é verdade, mas gastam uma fortuna para comprar, nos mercados brasileiros, o bom e velho (e caro e importado) arroz e feijão. Eu entendo que eles sintam vontade de comer aquela comidinha gostosa e que um dia ou outro façam uma loucura para matar as saudades, mas transformar o lugar onde estão num Mini-Brasil, já é demais!
Pior ainda, são os estrangeiros que vão aos países do antigo "3º Mundo" em busca de turismo sexual! Como se não bastasse o tráfico de mulheres e a imigração ilegal de prostitutas e travestis para os chamados países desenvolvidos, ainda vão à fonte buscar mais possibilidades?
O mundo está cada vez mais xenófobo e agressivo. Não é fácil!
A gente bem sabe que o relacionamento entre os seres humanos é complicado, ainda mais se existe uma barreira cultural, desrespeito e um cero sentimento de superioridade. É preciso muita calma e uma mente aberta.
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quinta-feira, 4 de outubro de 2007
Amigos Instantâneos
Neste momento de cansaço absoluto, nada melhor do que saber que a qualquer momento eu posso ir à Paris e lá estará um dos meus amigos com quem menos falo quando não estou lá, mas que quero muito, mas muito bem. E sem medo nenhum, posso dizer que a recíproca é verdadeira.
Ficamos dois anos sem um saber do outro e quando nos encontramos foi como se o tempo não tivesse passado.Essas amizades malucas, a gente só faz mesmo quando está viajando. Acaba conhecendo pessoas tão especiais, se aproxima tanto delas, mas a convivência não ultrapassa alguns poucos dias. São os instant friends, como eu gosto de chamá-los. Na hora em que você está mais precisando de ajuda, eles aparecem, estão sempre lá. Transformam qualquer momento ruim numa diversão.
Passei por algumas experiências deste tipo, por exemplo, em Praga, onde cheguei super cansada, depois de mais de 12 horas de viagem (de porta a porta) e acabei fazendo amizade com quatro das pessoas mais fantásticas que já conheci na vida e que me arrancaram da fadiga e me levaram para comer comida típica Tcheca - que por sorte não encontramos e quem me conhece sabe bem o porquê - e me puseram a dançar numa discoteca de cinco andares às margens do rio Vltava por mais de 8h consecutivas. Depois disso, eu e os quatro ingleses ainda jogamos shithead no senado até sermos retirados pelo segurança, porque o lugar ia fechar.
A Sicilia, no sul da Itália também me reservou alguns amigos assim. Conheci um australiano recém-chegado com quem acabei passando a maior parte do meu tempo em Palermo - por sorte, porque já tinha conhecido uma mala sem alça inglesa, que estava no mesmo quarto que eu no albergue e não desgrudava! Depois disso, fui para Catania, para onde o australiano foi no dia seguinte e nos encontramos novamente.

Ainda nos juntamos a uma inglesa que era um docinho e que me prometeu custard quando eu fosse para Londres e uma dinamarquesa que falava mais rápido do que qualquer pessoa que eu conheço (isso mesmo Bix, eu entendo o que você diz, agora, ela...) Nós quatro acabamos juntos numa trattoria com telão, assistindo à final da Copa do Mundo de 2006 e claro, estávamos todos torcendo pela Azzurra!
A amiga instantânea mais recente que eu fiz foi uma francesa, que eu conheci na minha última noite de Buenos Aires. Passamos a noite toda conversando e até hoje, vira e mexe nos falamos por MSN. Na verdade, a chance de ela deixar de ser uma amiga instantânea é muito grande, porque ultimamente temos nos falado com freqüência, o que em teoria, a tornaria uma amiga que vive longe, como tantos amigos que tenho assim, mas com quem mantenho contato permanente.
quarta-feira, 19 de setembro de 2007
Je t'aime, je t'aime plus, je t'aime encore, je t'aime toujours
Sempre teremos Paris. On aura Paris toujours! Chegou a hora de falar dela. Não existe maior paixão na minha vida do que essa cidade. Não troco por nada nem por ninguém. Ela não me deixa. E eu jamais a deixarei. Quantas manhãs acordei, vi os telhadinhos pela janela, tomei um banho rápido e fui correndo a boulangerie mais próxima para comprar un croissant et un pain au chocolat, sem nem me dar conta de la joie que isso me proporcionava?Me lembro muito da época em que estava morando no sixième arrondissement, na Rue Bréa - para quem não sabe, é entre Montparnasse e Saint Germain-des-Près. Meu apartamento favorito, com janelas enormes, no último andar de um típico prédio parisiense(a janelinha lá em cima na foto era do meu quarto). Com a boulangerie ao lado, e o chocolatier atravessando a rua. A Brasserie ficava na esquina oposta à da padaria - aonde ainda está hoje.
Numa ponta da rua o metrô e na outra o Jardin du Luxembourg. Dez minutos à pé de qualquer lugar. Com um ônibus na porta de casa. Mas só para os dias de muita pressa.
Porque em Paris, não há nada melhor do que andar. Muito e sempre, por todos os lados, em todas as partes. Ver as construções ao estilo Haussmannien, do final do século XIX, que compõem todo o charme; ver as árvores enquanto passa por parques para chegar ao destino. Escutar todas as línguas, todos os tipos de música, todos os tipos de xaveco. E sentir o odor dos perfumes mais vendidos no mundo tentando encobrir um cheiro agudo de sujeira. É maravilhoso! É estimulo para qualquer sentido e para qualquer sentimento.
E assim, com os sentimentos à flor da pele, amo Paris, com tudo de bom e tudo de ruim. Com as pessoas simpáticas e as de mau-humor, bufando de quando em vez - aliás, foi assim que reconheci um grupo de franceses visitando o Mauritshuis em Den Haag, na Holanda.
De lá pra cá, a vida mudou tão rápido que às vezes me parece que tudo não passou de um figment of my imagination. Mas as memórias são tantas e tão reais que sempre me convenço de que as coisas realmente aconteceram.
Foram dias de verão, de sol, com trabalho (muito trabalho), gente nova e as pessoas de sempre - as fundações que na época sustentavam todo esse rêve.
Paris, a cidade onde ninguém fica só. Parece que o lugar encontra os pares e os une e nunca mais os separa. E lá, eu não estava só. Nunca.
Acho que foi por isso que me apaixonei por Paris. E um amor assim, incondicional e correspondido não pode ser abandonado.
segunda-feira, 17 de setembro de 2007
Minha primeira vez
Imagine, por exemplo, você, sentado no seu carro, parado num trânsito daqueles intermináveis. Pra onde quer que você olhe, há carros. Luzes vermelhas e amarelas e algumas poucas verdes. Tudo se move em câmera lenta. Essa é a hora para viajar. Sair do seu corpo e estar num outro lugar. Neste instante, a música é minha melhor companheira. Mas não qualquer música, não a que toca na rádio. Tem que ser a que me transporta. A trilha sonora de momentos da vida. Como se fosse um filme. Eu sou capaz de passar horas entre soltar a embreagem, pressionar o acelerador levemente e pisar no freio, sem nem perceber o que está acontecendo a minha volta, se a trilha sonora for boa.
Alguns objetos também são capazes de servir como ativadores da memória. Fotos, claro, pedaços de papel com mensagens... Mas a memória daquilo que já se viveu não é tão intensa como a projeção de algo que nunca se viu. As possibilidades são infinitas. É claro que um pouco de álcool e uma atmosfera propícia podem ajudar e muito.
Em poucas oportunidades consegui me encaixar nesse tipo de situação. Uma delas foi fumando narguilé (ou xicha). Minha primeira vez foi em Paris, mais especificamente, num café marroquinho numa ruazinha de Montmartre. Com três amigas italianas. Só de entrar ali, com a música, os cheiros, o chá de menta, de sentar nas almofadas... Não estávamos mais em Paris. Falamos muito pouco. Creio que estávamos todas em outro plano. A única outra mesa do lugar estava ocupada por um grupo de homens com bigodes, falando árabe muito rápido. E nós em silêncio.
Depois disso, fumei com uns amigos num bar em São Paulo, numa das minhas visitas à cidade. Mas o local era muito barulhento e não tinha clima. Ultimamente, tenho a sorte de ter um em casa. E de vez em quando nos juntamos para fumá-lo. Me desligo completamente de onde estou e vou para um outro lugar. É um pouco Alice no País das Maravilhas. Como a lagarta, que desde pequena sempre achei fascinante.
Melhor eu parar por aqui. Este texto já está virando uma viagem.
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